Depoimentos


Pintando a Liberdade muda a vida dos detentos

Arival Batista da Silva matou para vingar a morte de seu pai, foi condenado a 18 anos de prisão e saiu livre após 8 anos. Hoje, trabalha como instrutor do projeto, em Minas Gerais.
João Alves da Silva foi um dos maiores assaltantes de banco de São Paulo. Ficou preso 26 anos, dos 246 aos quais foi condenado. Hoje está reabilitado e trabalha para a Secretaria Nacional de Esporte, como instrutor de produção.

O motivo maior para a mudança de vida de ambos tem nome: o Projeto Pintando a Liberdade, do Ministério do Esporte e Turismo em parceria com as Secretarias de Justiças ou Esportes de cada Estado. Este consiste na utilização da mão-de-obra dos internos do sistema penal brasileiro para confecção de material esportivo como redes, bolas e uniformes de diversas modalidades esportivas. O material é todo doado para outros programas do Ministério, como Esporte Solidário, Esporte na Escola, Projeto Navegar e eventos esportivos.

A cada três dias de trabalho, os presos diminuem um dia da pena e recebem um pequeno salário pelos serviços prestados. O pagamento pode variar de 5 a 7 reais por unidade produzida; o uniforme, dependendo do trabalho desenvolvido (corte, costura, acabamento, bordado etc.) varia de 1,50 a 3 reais e cada bola costurada, 2 reais.

O Pintando a Liberdade promoveu, em muitas penitenciárias do Brasil uma transformação no dia-a-dia dos detentos, geralmente marcada pela ociosidade, rebeliões e planos de fuga. Os resultados são os melhores, de acordo com o Fundo Penitenciário do Estado do Paraná e do Distrito Federal, o índice de reincidência carcerária nas penitenciárias onde está instalado o projeto é de cerca de 30%, enquanto em outras instituições é de 60 a 90%. Com isso, ex-detentos conseguem transformar suas vidas com novas perspectivas e oportunidades.

 

Paranaense disputa o mundial de cegos

Mário Sérgio foi um dos precursores do paradesporto para deficientes visuais.

Embarca hoje, para Atenas, o paranaense Mário Sérgio Fontes, 44 anos, único atleta brasileiro que integrará a seleção do mundo de futsal para cegos. Como parte do programa de divulgação da Paraolimpíada de Atenas, evento que sucede a realização dos Jogos Olímpicos em 2004, na capital grega, a equipe irá fazer uma série de três amistosos nas cidades de Tessalônica e Atenas. "Foi uma honra muito grande ser lembrado pela IBSA (federação internacional de esporte para cegos)", revelou Mário Sérgio.

Fontes está ligado ao desporto para deficientes há 21 anos. Começou como atleta e foi um dos fundadores e primeiro presidente da Associação Brasileira de Desportos para Cegos.

Ele é um dos únicos deficientes visuais com diploma de educação física. Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi um dos precursores na divulgação do futsal para cegos. "Começamos a divulgar o futsal para cegos durante a disputa da Paraolimpíada de Nova York, em 1984", lembra Mário, completando: "Desde então, conseguimos inserir a modalidade em países da América do Sul e Europa".

Se Mário será o único brasileiro em ação, o Paraná pode se orgulhar de ver um produto especial em todas as quadras onde se disputará uma partida de futsal para cegos.

As bolas com guizo, do projeto Pintando a Liberdade, produzidas por detentos das instituições prisionais brasileiras, foram adotadas pela IBSA como as oficiais das competições organizadas pela entidade.